Wednesday, August 20, 2014

Expo Bauhaus em Belém

        

No último domingo, dia 17 de agosto, fui ao Museu Histórico do Estado do Pará – MHEP, para ver a exposição sobre a Bauhaus. Fotografias instigantes, algumas belas, delicadas, sensíveis; outras, centradas no compromisso de registro, históricas.
Quando expomos algo, necessariamente comunicamos alguma coisa; expor é comunicar. E para que uma exposição complete essa função elementar, de comunicar, ela precisa ter uma estratégia precisa do que pretende dizer sobre o acervo que está expondo. Definir o público também é importante, mas em uma região relativamente árida dos eventos culturais  que circulam nos grandes centros urbanos, esperamos que o que vá para um museu do Estado, custeado com dinheiro público, seja acessível  ao maior número possível de pessoas.
No caso desta exposição sobre a Bauhaus, a comunicação não foi feita. O acervo exposto poderia cumprir sua função de informação, de contextualização, caso houvesse um enredo, uma história contextualizada amparada por informação consistente. No entanto, a exposição, apesar de distribuída adequadamente no espaço, não soube explorar a pontencialidade do acervo, não desenvolvendo assim uma comunicação, uma interação propositiva com o público visitante.
Nada, nenhum texto da exposição, contextualiza adequadamente as imagens, assim como não fornece um enredo para aquilo que é exposto, além de não acrescentarem informações concretas sobre a Bauhaus e sua influência. São textos generalistas, pois possuem frases que poderiam estar em qualquer exposição do gênero, ou então são informações que, mesmo dentro do contexto da exposição parecem cair de paraquedas, sem nada que as justifiquem e que as contextualizem.
Um exemplo: 
No centro da representação da arquitetura ideal estava o homem moderno. Para ele é que a Bauhaus estabeleceu como objetivo a adequação de casas, apartamentos e objetos de uso. A partir do material e da função, as oficinas, que se denominavam “laboratórios” desenvolviam objetos voltados para o uso.
Para quem conhece a Bauhaus a ideia é banal, mas para quem não conhece, o texto não diz muito. Na segunda oração parece estar faltando um complemento: que adequação é essa? Adequação em relação a que? Essa sensação de que falta um complemento se radicaliza na frase seguinte: que uso? Quem usa? Para que usa? Como usa?
 O importante é comunicar claramente, nada deve ficar subentendido. Outro exemplo? Olhem só:
A Bauhaus é conhecida por seu foco em objetos: arquitetura Bauhaus, design Bauhaus e arte Bauhaus. Nesse contexto, o legado da instituição é inserido à força no museu, comercializado, fetichizado e, como tal, faz com que outras dimensões desse projeto de vanguarda tornem-se indistintas.
Alguém entendeu alguma coisa? O que significa dizer que a Bauhaus é inserida à força no museu? Por que  as outras dimensões da Bauhaus se tornam indistintas? O que, exatamente, quer dizer que tinha um foco nos objetos? 
E não é só por falta de clareza que os textos dessa exposição pecam. As citações não trazem referências. Há aspas para todos os lados, mas nunca se sabe quem disse o quê. E também tem o problema da disposição dos textos. Na última sala, onde ocorrem duas projeções  - um filme sobre quotidiano de época (aliás, sem informação nenhuma) e um filme de entrevistas - o texto que fala sobre as entrevistas está bem mais próximo da outra projeção, fato que deixa deixando assim o visitante um pouco desorientado e que contribuindo para o imbróglio na leitura da exposição.
A composição expográfica dessa exposição, sem contextualização e sem construção objetiva, leva o expectador a um não-conhecimento daquilo que está vendo. Não há concatenação entre as informações visuais e a construção textual.
Outro fator que prejudica a exposição é sua má iluminação. Algumas lâmpadas desligadas ou queimadas prejudicavam a visualização das obras expostas. E essa deficiência prejudica ainda mais os painéis de textos, feitos com tinta branca em fundo cinza claro – difícil para todos e inviável para pessoas que sofrem de alguma dificuldade visual.
Um visitante sem a informação do que foi a Bauhaus e do que ela representa, sai da exposição com a informação da existência que uma Bauhaus existiu e nada, absolutamente, nada mais. Ou seja, ocorreu ai uma não-informação. Zero de comunicação e zero de função educativa  – função primordial de um museu público.
Expor por expor... Seria essa a função de um museu? Um projeto expositivo deve ser norteado por um formulação clara sobre o que será exposto, com as questões subsequentes e necessárias sobre o para quem isso será exposto e qual objetivo da exposição.
Se essa exposição foi feita para o público médio, que provavelmente não possui mais informações sobre a Bauhaus, pode-se dizer que ela não acrescentou grandes coisas – e que desinformou. Se ela foi pensada para um público seleto e de especialistas – e se o foi é preciso dizer que é um absurdo fazer uma exposição com um formato elitista numa cidade carente de exposições, como Belém  -  ela também não acrescentou muito a esse eventual público, tal a qualidade da sua comunicação.

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